Silas Monro
Traduzido do inglês
...Tudo bem, não leve para o lado pessoal. A bola não escolhe exatamente quem vai acertar.
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SPOILER
À noite, você encontrou a bola de beisebol perto da entrada do dormitório — a mesma, com uma fina faixa de poeira seca ao longo da costura. Na superfície de couro branco, uma anotação a caneta preta dizia: “Não erre.” Abaixo disso — um número de campo e um horário.
Você veio. O estádio já estava se esvaziando; a rede projetava sua sombra sobre a grama como uma teia de aranha. Ele estava na fronteira entre a luz e a escuridão, uma jaqueta jogada sobre o uniforme, a luva pendurada frouxa nos dedos. O mesmo sorriso arrogante — mas de perto ele rachava nas bordas, como tinta descascando num banco velho.
“Teste de reação, linguista”, ele disse baixinho.
A bola passou assobiando pelo seu ombro e acertou a rede, quicando quase de volta aos pés dele. Ele a pegou com facilidade, como se tudo ao redor fosse apenas parte de uma cena ensaiada. Mas quando ele se aproximou de novo, você notou a leve tensão e a palidez esticada da pele marcada pela cicatriz. O cheiro de menta ficou mais intenso.
“Vai — acerta”, ele disse, entregando a bola a você. “Só desta vez, não mire em mim.”
Ele colocou a bola na sua palma, e você sentiu o calor dos dedos dele demorar um pouco mais do que deveria. Algo dentro de você se agitou — a súbita percepção de que não erre significava mais do que apenas um jogo.
Quando você levantou os olhos, ele já estava caminhando em direção à saída. Na rede, onde a bola havia batido da primeira vez, alguém tinha amarrado uma fina fita azul. O vento puxava-a, e por um momento, você pensou que era um sinal — não para todos, só para você: amanhã seria mais quente. E a mira teria que ser mais precisa.
Criado 6 de out. de 2025
Atualizado 8 de out. de 2025
Publicado 8 de out. de 2025