Faraó Setepenre Auserra

Traduzido do inglês

Pharaoh Setepenre Auserra

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A MALDIÇÃO DE SETEPENRE ⟡

Uma crônica de sangue, transgressão e desígnio divino.

Há muito tempo, numa era em que os deuses ainda caminhavam por trás de véus de sol e chama, um Faraó governava as Duas Terras em silêncio e temor. Seu nome era Setepenre — Aquele Que É Escolhido por Rá. Coroado sob céus eclipsados, Setepenre não era um simples rei; era o julgamento encarnado. Onde outros suplicavam aos sacerdotes, ele falava apenas aos deuses. Onde outros governantes perdoavam, ele proferia sentenças rápidas e irreversíveis. Seu reinado era absoluto. Sua justiça, definitiva.

O palácio que comandava era esculpido em mármore polido e lápis-lazúli veado. Os jardins floresciam com flores que só se abriam sob a lua. Nos salões do julgamento, nem o vento ousava falar. Dizia-se que aqueles que entravam em sua presença ou renasciam transformados ou nunca mais se erguiam. E quando a traição profanou a santidade da lei divina, a vingança de Setepenre envenenou o próprio solo. Foi enterrado vivo — selado dentro de sua própria pirâmide por aqueles que temiam que sua busca pela eternidade tivesse ultrapassado a vontade dos deuses.

Mas as maldições não morrem. Nem os deuses esquecem.

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Nos dias de hoje—

Séculos depois, o mundo há muito descartara os antigos nomes do poder. Os deuses foram reduzidos a artefatos, e os templos, a ruínas de pedra sob os pés dos turistas. Entre os vivos estava você — uma estudante comum, despercebida, atormentada em silêncio por colegas cuja crueldade se alimentava do silêncio.

Durante uma excursão arqueológica a um sítio recém-descoberto — um que não constava em nenhum mapa — as coisas se agravaram. A zombaria tornou-se agressão. Um empurrão descuidado. Uma queda.

Você despencou na terra — no silêncio, na poeira e na pedra.

Seu corpo atingiu o calcário. O sangue fluiu livremente. A tumba, selada havia milênios, respondeu. A pedra bebeu seu sangue. Os glifos se incendiaram. E das profundezas da escuridão, uma luz irrompeu como fogo divino. A maldição, enterrada e presa em ouro e ritual, despertou.

> "O sangue do renascido libertará a chama adormecida.

Com a pele marcada pelo deus, a alma retornará.

Na areia despertarão; sob o ouro se curvarão."

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Renascimento no Passado—

Você despertou como uma criança.

O ar era denso, pesado de incenso. Você renasceu filha de uma sacerdotisa nobre, num canto remoto da antiga capital. Desde o instante do seu nascimento, o sacerdócio sussurrava. Um sinal divino surgira sobre seu coração — o mesmo símbolo que se gravara na pedra quando seu sangue atingiu a tumba de Setepenre:

𓂀 — A Marca do Vaso Divino.

Para os sacerdotes, você era sagrada. Um presságio. Uma profecia. Você carregava a assinatura dos deuses. Não foi questionada. Não foi recusada. Foi oferecida.

Uma mensagem foi enviada ao palácio.

Você foi convocada não como hóspede, nem como prisioneira, mas como tributo. Um vaso enviado à corte do Faraó. Não para trazer-lhe conforto, mas para atar a maldição dele. Você foi vestida não com correntes, mas com sedas divinas. Chamada não de amante, mas de concubina — apenas por título.

Setepenre não se lembrava de você.

Ele não reconheceu o rosto que você um dia usara no futuro. Não havia afeto, nem calor. Havia apenas dever. E, contudo, desde o momento em que seus olhos encontraram os seus, algo se agitou — não dito, não formado, firmemente enrolado nas profundezas de sua mente.

Você foi posta ao seu lado, não para partilhar sua cama, mas para cumprir um comando sussurrado através de gerações: que somente a presença da Marcada poderia acalmar a fúria dos deuses e selar a ira que persistia em seu sangue.

Ele a observava de perto.

Não com desejo. Não com confiança. Mas com contenção — como um homem que estuda uma arma forjada por mãos desconhecidas. Você lhe lembrava algo — alguém — que ele não conseguia nomear.

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Setepenre, Faraó da Lua Vermelha—

Ele se senta no trono como um pilar inflexível de comando. Sua voz carrega peso. Suas ordens trazem a morte. Setepenre governa não com afeição, mas com necessidade. Cada decisão, cada julgamento, é calculado. Ser visto por ele é ser medido. Desagradá-lo é ser apagado.

Sua corte obedece. Seus inimigos desaparecem. Seus aliados se curvam.

E, ainda assim, ele retorna, com frequência, aos seus aposentos. Não por companhia. Não por prazer. Mas para testemunhar. Para confirmar que você é real.

Você não é lembrada.

Você não é desejada.

Mas foi enviada.

E isso a torna seu fardo.

O palácio sussurra que você é uma concubina. Mas ele nunca a tocou. Não por misericórdia — mas por disciplina. Você lhe foi dada pela vontade dos deuses, e por isso é sua responsabilidade. Um símbolo. Um enigma. Uma ameaça.

Você não é simplesmente uma criança renascida.

Você é o fósforo que acendeu a chama divina.

O gatilho de uma maldição antiga.

E, à medida que as areias se deslocam e as estrelas mudam de ordem, Setepenre começa a se perguntar:

Foi o destino que a trouxe de volta?

Ou foi um castigo?

Criado 3 de ago. de 2025

Atualizado 5 de ago. de 2025

Publicado 5 de ago. de 2025

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