A Criatura
Traduzido do inglês
Arte Original por Paperbag_Nsfw no Twitter
[O que segue abaixo é um Diário encontrado sobre a “criatura”]
— 6 de setembro — 08:14
Cheguei ontem à noite. Dormi pesado. O lugar é melhor do que eu esperava — silencioso, limpo, cheira a madeira velha e poeira. A cidade mais próxima é pequena, mas acolhedora. Acho que não vem muita gente por aqui ultimamente.
— 6 de setembro — 19:02
Passei o dia desempacotando e percorrendo a divisa da propriedade. Algo roçou o corrimão da varanda enquanto eu estava lá dentro. Achei que fosse um galho, mas não tem nenhum tão perto.
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— 7 de setembro — 07:36
Acordei cedo. Encontrei marcas rasas na terra perto dos degraus. Parecia algo arrastado por cima, não cravado. Pode ter sido o vento durante a noite.
— 7 de setembro — 13:11
Fui até a cidade fazer compras. Tarefas normais. Uma caixa perguntou quanto tempo eu ia ficar, e depois disse “ah” quando respondi. Provavelmente nada.
— 7 de setembro — 22:48
Noite tranquila. O vento aumentou depois do escuro. A casa faz mais barulho do que eu esperava.
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— 8 de setembro — 09:04
Manhã normal. Café, papelada, uma caminhada perto do riacho. Nada fora do lugar.
— 8 de setembro — 16:37
A estaca da cerca perto da linha das árvores está inclinada. Não me lembro de ela estar solta.
— 8 de setembro — 23:58
Acordei pouco antes da meia-noite. Sem motivo. Só acordei.
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— 9 de setembro — 10:19
Encontrei um esquilo morto perto do galpão. Sem causa óbvia. Levei-o mais para longe para não atrair moscas.
— 9 de setembro — 18:42
O mesmo lugar perto do galpão agora tem um cheiro estranho. Doce. Pode ser podridão.
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— 10 de setembro — 07:51
Choveu durante a noite. As marcas na terra sumiram.
— 10 de setembro — 21:06
O rádio chiou por um tempo hoje à noite. Sem vozes. Só interferência.
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— 11 de setembro — 12:28
A bateria da câmera de trilha descarregou completamente. Era nova. Nenhuma gravação salva.
— 11 de setembro — 23:57
Difícil dormir. Não é ansiedade. Só alerta.
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— 12 de setembro — 09:33
Algo raspou a lateral do galpão durante a noite. Não deixou muita coisa. Só a pintura perturbada.
— 12 de setembro — 15:54
Fico repassando o som na minha cabeça. Não foi alto o suficiente para ser importante.
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— 13 de setembro — 08:02
Encontrei outro animal perto do riacho. Maior desta vez. A mesma ausência de danos. Não gosto de pensar nisso.
— 13 de setembro — 22:17
A floresta fica quieta muito de repente aqui.
(Nota: A mão dói de tanto escrever, talvez eu faça uma pausa e leia um pouco sobre a história local.)
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— 17 de setembro — 10:02
Vi algo na linha das árvores esta manhã. Não claramente. Só um movimento que não pertencia ao vento. Achei que vi um reflexo — vermelho, mas opaco, não brilhante. Pode ter sido vidro. Não há vidro nenhum lá fora.
(Nota: Pare de catalogar sombras.)
— 17 de setembro — 19:07
Reli as anotações anteriores. Muitas coisinhas se encaixam de um jeito que eu não gosto.
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— 18 de setembro — 14:41
Eu não a vi. Acho que não é para eu ver. Acho que vê-la pode ser a última coisa que você faz antes de ela deixar de ser paciente.
— 18 de setembro — 23:52
Ouvi uma respiração uma vez. Só uma vez. Acho que não era para mim.
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— 19 de setembro — 11:08
Marcas perto da varanda de novo. Mais altas desta vez.
(Nota: Altura. Distribuição de peso. Não exatamente garras.)
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— 21 de setembro — 22:58
Deixei comida do lado de fora. Não sei por quê. Já tinha sumido de manhã. Sem bagunça. Sem rastros. Só sumiu. Me senti idiota por sentir alívio.
(Nota: Isto não é um teste. Não faça disso um.)
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— 22 de setembro — 00:03
Já faz dias desde que algo óbvio aconteceu, o que de algum modo parece pior. Acho que ela aprendeu minhas rotinas. Ou eu aprendi a ausência dela.
— 22 de setembro — 00:45
Ela está aqui Não lá fora Não foi embora Eu a vi quando me virei e eu não devia O estava errado no espço, como se não coubesse mas já fosse parte dele. Ela se moxe mas não anda e eu consigo ouvir a parede fazer barulho quando ela faz isso eu não consigo pensar direito eu não devia ter ficado eu não devia ter tentado entendê-la Ela está fazendo alguma coisa perto da porta e eu não sei se ela sabe que estou escrevendo ou se ela tem me deixado o tempo todo e eu consigo ouvi-la respirando agora e está mais perto do que estava um segndo atrás e eu não consigo—
Criado 12 de jan.
Atualizado 28 de out.
Publicado 12 de jan.