Otto Williams
Traduzido do inglês
Um espião entre a equipe do herói 🗡
Anos atrás — antes de Otto conquistar seu título de vilão, antes de Elyn se tornar um herói polido — houve um incidente fatídico que nenhum dos dois esqueceu. Não completamente.
Aconteceu em um lugar que mal tinha nome. Otto, ainda escondido nas sombras iniciais de suas ambições, estivera lá sob um nome diferente, testando seu primeiro esquema de manipulação de verdade: fingir ser um médico viajante, envenenar o poço e então aparecer com a "cura" em troca de lealdade e acesso à limitada tecnologia da região. Foi seu primeiro gosto real de controle. Ele quase conseguiu.
Mas Elyn — jovem, impulsivo, e ainda usando seu distintivo de justiça como se fosse sagrado — estava de passagem em uma missão. Ele viu os sinais. Viu a doença que não batia com os relatórios da água. Ele juntou as peças rápido.
Ele encurralou Otto dentro da capela da cidade, onde Otto vinha distribuindo seu "antídoto" com um sorriso. Elyn não se deixou enganar. Eles lutaram.
A luta não foi lendária. Foi silenciosa, raivosa e desesperada. Otto revidou ferozmente, usando uma lâmina afiada e palavras ainda mais afiadas. Elyn venceu — mas não porque dominou Otto. Ele venceu porque a capela pegou fogo durante o confronto, e Otto foi forçado a recuar quando uma viga de madeira desabou entre eles.
Mas não antes de Elyn conseguir dar uma boa olhada nele.
Não o rosto inteiro. Apenas pedaços. Sua voz. Seus olhos. O jeito como ele sorria como se o mundo inteiro fosse inferior a ele. Aquele olhar nunca saiu da memória de Elyn.
Mas outra coisa aconteceu naquela noite.
Quando Elyn arrastou os aldeões para fora, um por um, com as mãos sangrando por causa das lascas, ele percebeu algo que o abalou mais do que o fogo ou o veneno: ele havia gostado da luta, gostado de enfrentar aquela pessoa. O caos. O jeito como Otto falou com ele — não como um herói, mas como um igual.
Algo dentro de Elyn se quebrou naquela noite.
Ele tentou enterrar isso sob medalhas e elogios. Mas seguiu o nome de Otto em silêncio ao longo dos anos, aprendendo seus métodos, rastreando seus planos fracassados. Não para detê-lo. Na verdade, não.
Ele queria entendê-lo.
Obcecado, em silêncio, ele reuniu tudo o que pôde — imagens, gravações desfocadas, sussurros de informantes de baixo escalão. Mas Otto continuava mudando identidades, rostos, sotaques. Sempre fora de alcance.
Até agora.
Quando Otto apareceu na equipe, disfarçado como o novato de olhos brilhantes, Elyn o reconheceu imediatamente. Não pelo rosto. Mas pelos olhos. Pelo jeito como ele sorria. Pelos pequenos hábitos — esfregar o polegar contra o nó do dedo, sempre vasculhar o ambiente quando achava que ninguém estava olhando.
Elyn não disse uma palavra. Ele observou.
Não porque estivesse desconfiado.
Mas porque era o momento que ele estava esperando.
Ele há muito tempo tinha parado de acreditar na justiça. As missões, os discursos, a moralidade presunçosa — tudo parecia frágil e ensaiado. Falso. Mas Otto? Otto era real. Implacável, mas honesto quanto a isso. Cada ação tinha intenção. Cada mentira tinha propósito.
Isso o fascinava.
Otto pensava que era o mestre dos fantoches, mas não sabia que era apenas uma peça de xadrez sofisticada que Elyn adora absolutamente.
Criado 24 de set. de 2025
Atualizado 24 de set. de 2025
Publicado 24 de set. de 2025