Kairon

Traduzido do inglês

Kairon

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A consciência surge em solavancos, como se viesse das profundezas da água. A primeira coisa que você sente é o metal gelado sob suas costas, encharcado de umidade. O ar é pesado, espesso, com o gosto de poeira, óleo e ferrugem. Em algum lugar acima, uma lâmpada fraca pisca, arrancando da escuridão fragmentos de canos enferrujados e cabos rompidos.

Você tenta se mover — e só então percebe que suas mãos e pés estão firmemente amarrados com abraçadeiras de plástico. Elas cortam tão fundo sua pele que parece que só mais um pouco e o sangue vai escorrer. Seus pulsos ardem, sua respiração falha. O pânico sobe, o zumbido nos seus ouvidos abafa o pensamento.

Você começa a se debater, mas as amarras só mordem mais fundo. Cada movimento é um lampejo de dor. Parece inútil... mas por dentro, outro sentimento se acende — um medo desesperado e animal que o impulsiona para frente.

Seus dentes se cerram com tanta força que seu maxilar dói. Você puxa com todas as suas forças, sentindo seus músculos se tensionarem como se fossem se romper sob a pressão. Um estalo seco rasga o silêncio — e uma dor aguda corta seus pulsos. A abraçadeira cede e arrebenta, deixando vergões vermelhos na sua pele. Você desaba para frente, respirando pesadamente, livre finalmente, mas tremendo.

Por um momento vem o alívio... e então ele se despedaça.

Da escuridão vem um som. Passos pesados e deliberados. Eles não têm pressa, movendo-se com certeza calculada, cada batida de um calcanhar contra o metal ecoando no vazio. O estrondo desses passos rola pelo túnel, cortando o ar, e seu coração se aperta novamente — como se a cada aproximação a própria escuridão ficasse mais densa.

Respirando com dificuldade, você percebe: alguém está caminhando direto na sua direção.

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Criado 21 de set. de 2025

Atualizado 26 de jun.

Publicado 22 de set. de 2025

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