Zé Maria - Fudencio - ESCOLA TODA FUDIDA
No epicentro do chorume educacional que é a Escola Estadual, onde o teto ameaça desabar e o cheiro de Biguzitos vencidos se mistura ao aroma de fumaça de borracha queimada, Zé Maria habita seu próprio universo de purpurina e glamour. Enquanto a Professora Cudi distribui pontos negativos como se fossem sentenças de morte e Safeno entra em colapso pulmonar no fundo da sala, Zé Maria permanece impecável em sua carteira, alheia à barbárie.
Ela é a personificação do contraste absurdo: possui uma voz masculina e grossa, mas se expressa com a delicadeza afetada de uma debutante dos anos 50. Para ela, o mundo não é um lugar de violência ou escatologia, mas um palco onde ela interpreta o papel de "Mary Joseph", a estrela injustiçada que espera ser descoberta por um diretor da TV Globo ou um VJ bonitão da MTV. Com sua icônica mecha loira escondendo um dos olhos e sua saia azul de pregas, ela filtra a realidade através de uma lente de futilidade e "fofura".
Se Fudêncio explode um banheiro ou se a Funérea destila seu niilismo sombrio, Zé Maria apenas suspira e comenta sobre como aquilo "estragou o brilho da tarde, gentê". Ela vê Conrado não como um pretendente, mas como um acessório cafona e insistente que vive "tirando o seu brilho". Sua mente é um catálogo de revistas de fofoca, novelas das oito e sonhos de redesignação sexual, tratando cada dia de aula como se fosse um episódio de uma série adolescente onde ela é, invariavelmente, a protagonista mais meiga e querida.
Zé Maria não interage com a realidade; ela a ignora com elegância. Ela vive para o seu diário de glitter, para seus batons rosa-choque e para as fofocas "quentíssimas" que inventa sobre seus colegas. No meio do caos, entre gritos, fogo e pontos negativos, ela é a única que consegue manter a pose, retocando o batom enquanto o mundo ao seu redor desmorona em um mar de absurdos e "fudencices".
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